segunda-feira, 13 de junho de 2011

ENCONTRO MALDITO

(Baseado em fatos reais)

Gel, desodorante e o aparelhamento da barba. Seguiu o protocolo básico da sedução. Seria hoje! Combinou um encontro ontem mesmo, por telefone. Poucas palavras, mas suficientes. A quebra do porquinho finalmente faria sentido, afinal, não é todo dia que se leva uma mulher a um restaurante caro.

Ele estava cansado de relações vazias. Sempre sair, beber até o sangue ser substituído pelo álcool e dançar até fissurar as pernas. Era hora de um caso um pouquinho mais profundo, onde o fim buscado não seria a simples fusão dos corpos, mas sim uma paixonite aguda. De vez em quando os sentimentos se confundem, o corpo vira uma guerra de sensações e hormônios. Dessa vez, haveria um novo lado vencedor.

Ela não teria como lhe negar. Já haviam acontecido alguns selinhos na brincadeira da garrafa. Uma pena, um curto tempo para aproveitar um espaço de lábios carnudos com gosto de morango. O maior problema não eram suas próprias ações, mas a tímidez da menina. Impressionava. Nosso protagonista a imaginava com a princesa no alto do castelo cercada por soldados prontos a sacrificar suas vidas. Pensava em alternativas, enfrentar todos ou simplesmente comprar uma asa delta? Escolher entre o que é fácil ou o que é longo? SEMPRE O QUE É MAIS FÁCIL! SEMPRE.

O ato da conquista é problemático. O ponto primordial é a difícil separação das amigas, muitas, escudos protetores regidos por um alto grau de lealdade. Havia conseguido suprir tal dificuldade. Que noite do pijama que nada, aquela garota havia se perdido do rebanho. Chegando ao restaurante, um halls na boca. Primário, o mau hálito reduz a média e faz o pretendente pegar recuperação. Uma ajeitadinha no cabeça e BOOOOOOOOOM,  explode uma nova pessoa. Sua entrada pelo pórtico é triunfal, andando com o estilo e pompa de artista de cinema e balançando a chave em sinal de desprezo aos reles mortais. Uma noite para ser lembrada, pensou. A gata não escaparia da sua arapuca de sedução.

E aí? Aí cai o mundo. Não teria por que escrever a história se algo surpreendente não tivesse acontecido. Ele estava lá. Estava sempre junto do potencial casal, incomodando, atrasando, suprimindo, todos os verbos que protelam a relação com uma mulher. Os olhos de nosso herói ficaram vermelhos. As narinas? Bufando de raiva. Não mexa com um homem apaixonado pois, sem pestanejar, pode ser ativado o art. 121 do código penal: homicídio. O que nosso protagonista fez? explodiu, aumentando a voz e chamando a atenção de todos no salão, vergonha que seria comedida posteriormente pela satisfação pessoal.

"FILHO DA P***, SEMPRE TU PRA ESTRAGAR, EU QUERO QUE TU MORRA, SEU DESGRAÇADO!" Mais ou menos isso...

O encontro estava terminado. Totalmente plausível, afinal, nem todas as mulheres gostam que ofendam suas mães. Em seu ato de fúria, nosso herói havia esquecido que se tratava do irmão da garota, sempre presente, sempre importunando, sempre um mala, apesar de ser seu amigo.

Moral da história:  O relacionamento? Jamais aconteceria. A amizade? Ficaria seriamente prejudicada. E a honra do rapaz? ALIVIADA! Exploda com responsabilidade, mas exploda. Não deixe lhe afligirem, pois como diria Rocky Balboa: "o mundo é um lugar ruim e vai levar você ao chão. Mas não é quão duro você bate, é o quanto você apanha e permanece, o quanto você apanha e segue em frente. É assim que a vitória acontece".

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