quinta-feira, 2 de junho de 2011

GAROTA GELADA

(Baseado em fatos reais).

A garota estava em casa. Seu pijama desleixado refletia seu estado de espírito: stress absoluto. Por que? Nem ela sabia. Estava com aquela sensação de estômago revirado após um rodízio de pizza, mas não havia comido nada. O que estaria acontecendo, por que diabos o cara que havia conhecido na noite anterior não havia ligado? Será que ele não gostou da troca de fluídos? Será que ele era um pitboy safado que apenas usava as mulheres? Será que ela estava com mau hálito? Resolveu esperar.

O melhor nessas horas é comportar a inexorável ação do tempo: ele passa sem a gente perceber. O efeito reverso é sentido se você presta atenção no ponteiro dos segundos do relógio: o tempo não passa nunca. A garota enfrentava este último dilema. Tinha expectativas grandes sobre o que a relação do dia anterior havia gerado. Ela não estava procurando um príncipe encantado, mas o rapaz havia chegado perto disso. O que fazer quando a tensão toma conta? Tentar relaxar ou, no caso de nossa heroína, permanecer dentro do casulo irracional da insegurança. Naquele momento, se pudesse escolher uma habilidade especial, buscaria o poder de ler pensamentos. Queria saber o que se passava na cabeça das pessoas, mesmo que viesse a se magoar.

A noite chega e nada ainda. A mão já estava em carne viva segurando o celular. Pausou seu raciocínio por um momento e chegou a uma conclusão: por que esperar? Se o cara não tem atitude não dá para imaginar que leite saia de pedra. A vida já havia lhe ensinado que confiar nos homens é como navegar o Pacífico em uma barca furada. É claro, procurou nos lugares errados e o próprio destino acabou por cruzar seu caminho com o de pessoas absolutamente diferentes, que apenas lhe decepcionaram em questões relacionadas ao amor. Chega, ela disse, chega! O cara não merecia suas expectativas. A partir daquele momento ela seria diferente. O cavaleiro jedi em si havia sido tomado pelo lado negro da força. Haviam mexido com algo que não admitia ser alvo de brincadeiras: os brios da emoção.

Dali pra frente tudo mudaria. Seria má, trataria as pessoas como elas merecem. A educação excessiva às vezes torna a pessoa "bobinha". Isso também a abandonaria. Todas as células de seu ser brigavam contra o passado, de modo a buscar a construção de um novo horizonte mental, onde seria forte, fria e menos emocional. Estava estressada, bufando de raiva, nenhuma mulher merecia aquilo que o cara havia feito. Precisava de algo para extravasar. Encontrou seu travesseiro. Nunca gostou dele mesmo. Estava preparando os punhos para exalar socos de fúria no objeto, até que seu celular tocou.

- Alô?

- Oi, aqui é o rapaz de ontem, tudo bom?

Seu corpo estagnou. O sangue fervente deu lugar a um pólo norte de nervosismo. Suas mãos geladas tremelicavam ao telefone como se estivesse passando um tornado grau 5 pela área. Em um espasmo do intelecto, apenas falou:

- Oi!!!!!!!! Ainda bem que você ligou! Você estava sumido, como está? Estava com saudades de ti!

O ódio latente havia sido substituído por uma aura serena, tranquila e que havia atingido seu objetivo inicial. A nuvem negra anterior, que passou por sua alma, não era verdadeira, sendo apenas uma máscara para esconder seus reais sentimentos.

Moral da história: Vai tentar entender as mulheres? Esqueça. Não sei se é algo químico, físico ou cerebral: não há uniformidade. E compre telefones. Conforme demonstrado, eles viram Jesus e adquirem a força de transformar as pessoas da água para o vinho. INCRÍVEL!

Um comentário:

Anônimo disse...

Não sei de quem e essa frase, mas eu amoo!
"os homens dizem que somos complicadas só para justificar a incapacidade de nos entender"
Estou brincando ;-) amei a história da garota gelada!