quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PRESENTE DE GREGO

Eu estava na catequese. Sempre fui um péssimo católico. Não decorava canções e muito menos as orações clássicas de colégios de freiras. Meu bom e velho Bom Conselho que o diga: muito estudo durante o ano letivo e muita abnegação em se tratando dos ensinamentos bíblicos. Até aí tudo bem. O problema da catequese era sempre fazer alguma atividade de integração chata e, como todos faltavam a maioria das aulas, não havia muita interatividade entre os alunos para avisar o que havia acontecido no encontro anterior.

Eis que era o final do ano de 2001, perto do Natal, e quase chegando na "formatura no reino de Deus". Creio que, na penúltima aula, porém organizado com um mês de antecedência, ocorreu um amigo secreto de confraternização, o qual não me avisaram. Cheguei no dia para mais uma aula normal e percebi o pessoalzinho se movimentando para um mega evento: presentes muito bem embalados e comida variada. Naquela época os alunos ainda se dedicavam na hora dos lanches, fazendo deliciosos sanduíches ou saborosos bolos para dividir com os coleguinhas. Foi só evoluir nos anos finais de ensino fundamental e médio que tais cuidados foram revogados, de modo que todo mundo passou a comprar apenas comida de plástico, como salgadinhos e bolachas. Talvez tenha sido eu quem lançou essa moda. Como disse, nem sabia do amigo secreto e tive que me virar de um jeito ou de outro. Olho para a carteira: míseros 4 reais. Ou seja, 4 reais para comprar um presente para minha amiga secreta, a qual fui conhecer apenas no dia, e 4 reais para comprar a comida do lanche. Somando-se a minha encruzilhada, eu não tinha autorização para sair do colégio, o que limitou meu presente apenas a livraria. Chego lá e vou direto à estante de materiais escolares: precisava de algo útil e barato. Para minha felicidade, encontro um lápis de 40 centavos e uma borracha de 20. FEITO, fechei todas, um regalo a ser lembrado. No caminho ainda passei na lancheria para comprar um Doritos de 2 reais, saboroso e enjoativo. Gastei 2,60 e ainda havia sobrado dinheiro para ônibus. Instituições financeiras, me contratem.

Chega a hora da cerimônia e eu sou chamado de amigo secreto por um cara que nunca havia visto na vida. Ganhei um belo caderninho para apontamentos. Curiosamente, o tenho até hoje. Mas chegou minha vez HOHOHOHOOH,  era hora de liberar o caríssimo presente que havia comprado. Falei algumas características pessoais da garota e pimba, ela descobriu quem era. Não tive nem o cuidado de pedir embalagem para presente, entreguei na sacolinha da livraria mesmo. Ela ri, me abraça como forma de agradecimento, pega o saquinho, manuseia os dois objetos e fecha o rosto como se tivesse visto a morte. Por que tal falta de educação? Presente barato, mas de coração! O problema é que eu, além de não embalar o presente, havia me esquecido de tirar os preços do lápis e da borracha. Lá estavam os selinhos malditos, 40 e 20 centavos. A guria me olhou e soltou um "pô, sacanagem, hein?". E eu: "de nada". HOHOHOHOHOHOH

ERA WILSON POR HJ!

FUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

2 comentários:

Anônimo disse...

É ,dizem que as aulas de catequese sempre foram um "saco".Ainda bem que eu estudei em colégio Metodista.É bem melhor. Mas em relação a sua postagem , você demonstrou: responsabilidade em primeiro lugar, cumprindo o que devia ser feito; sensibilidade, ao não deixar sua colega sem o presente (o fato dela ter gostado ou não... problema dela)e um baita economista multiplicador de $$$. Meus parabéns! Selena Linhares.

Anônimo disse...

Espertinho heim.gostei.