segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A REBELIÃO DO FUSCA

(BASEADO EM FATOS REAIS)

O Fusca estava cansado. A idade havia chegado. Se existisse a possibilidade de pedir aposentadoria o faria sem pestanejar. O pobre Fusquinha é simples, simpático e todos já tiveram vontade de ter. Era o carro popular de décadas atrás, porém sua fama se foi. Vocês conseguem imaginar o que é ser, em uma época, o astro do pedaço e muitos anos depois, virar um burro de carga? O carro acaba ficando, por vezes, temperamental. Precedentes de volubilidade existem aos montes no mundo automotivo. Quem não se lembra de Christine, o carro assassino e Herbie, o turbinado?

Motivos não faltavam para o Fusquinha ficar brabo. Seu motor estava quase fundindo e a cor, outrora brilhosa como o que sobrou da Floresta Amazônica, agora era um verde musgo carcomido pelo tempo. Escravidão automobilística não é um crime, ainda, e chega uma hora onde a rebeldia toma conta.

O dono, certa vez, estava afim de uma gatinha. Todas as mulheres do mundo poderiam ser filhas únicas ou ter irmãos exclusivamente do mesmo sexo. Seria mais fácil de chegar perto e evitar os anexos humanos dispensáveis, que ficam em cima, representando os olhos do homem que doou o espermatozóide: o pai. Quem quer se dar bem deve contornar as coisas, ser paciente e evitar o pensamento espumoso de raiva. O dono convida a menina para sair, ela aceita, mas o irmão deveria ir junto. O Fusca observava tudo do lado de fora. O intrometido convidado era uma doce criatura de circunferência parecida com a da Terra: um cheinho próximo da obesidade. "Maravilha" pensou, era hoje que a revolução começaria. Os ocupantes entram. Que dor. Consegue imaginar as frágeis rodas dianteiras do Fusquinha aguentando a tonelada? Seria assim por pouco tempo.

No trajeto, o carro sofre com a potência falha. Seu motor se esforçava mesmo nas últimas. Em seu interior, uma conversa vazia sobre como estava bonito o dia: um excelente papo de sedução. O Fusca se vingaria, por ele e por seu benfeitor (ou malfeitor?). Chegavam perto de uma curva acentuada, daquelas onde a plaquinha de trânsito está mal posicionada. Era hora de agir. Se caísse, cairia com peleia. O carro adentrou a curva, o sinal de pisca ligado e aí, meu amigo, aí tudo acabou mal. O Fusca, explodindo seu cosmo, consumindo toda a raiva acumulada de sua longa vida, expeliu o irmão da menina, o qual se sentava no banco do carona. É o clássico caso de pessoas com prisão de ventre. O mundo fica mais bonito quando se consegue parir o filho ilegítimo. Bisonhamente, o rapaz é arremessado do carro, rolando alguns metros até encontrar a calçada. A porta do carona havia aberto pelo frágil e velho trinco. Foi na mesma época do terremoto no Haiti. Coincidência?

Transeuntes curiosos vêm ajudar contrapondo faces de espanto e risos eufóricos. Foi uma cena bizarra e o Fusca venceu a batalha, mas perdeu a guerra. Na sequência foi obrigado a abrigar novamente o combalido irmão e todo seu enorme peso.

Moral da história: Respeite seu carro, ele é tipo um cachorro com rodas, está sempre lá por você HOHOHOHOHOH. E leve o mesmo em oficinas, pois é sacanagem a porta abrir com o veículo em movimento!

NÃO FUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII... DE FUSCA!

3 comentários:

Preguiça alheia disse...

Parabéns pelo blog.. show de bola.

Abraço,
PREGUIÇA ALHEIA
____________________
www.preguicaalheia.com

Maria Quitéria disse...

Mas que história,hein?
Parabéns por nos dar estas postagens sempre tão recheadas de conteúdo. Está virando uma mania ler seu Blog.

Anônimo disse...

É, meu fuscão é foda....
Infelizmente foi comigo o fato descrito, posso confirmar que foi baseado em fatos reais mesmo