quinta-feira, 17 de novembro de 2011

EMERGÊNCIA EM TUVALU

Os primeiros refugiados ambientais a que se tem notícia são os do povo de um pequeno arquipélago de 26 km², ao sul do oceano Pacífico, os Tuvalu. A Ilha de Tuvalu está localizada perto da Oceania, a uma altitude considerada baixa, de não mais que cinco metros acima do mar, e sofre com as alterações climáticas globais. O risco na ilha tem sido muito divulgado pelos ambientalistas como um prelúdio do futuro que espera nosso planeta em relação às emissões descontroladas de gases poluentes na atmosfera, o que causa o efeito estufa.


O aumento do nível dos mares, resultante do aquecimento global acabou por tomar parte da ilha, que possuía 11 mil habitantes. A situação configurou-se tão grave que o ACNUR (órgão das Nações Unidas para refugiados) teve que agir e criar um acordo com a Nova Zelândia no intuito de que o país recebesse as pessoas do arquipélago. Válido em 2002, o tratado determinava a inclusão de 75 indivíduos por ano no território vizinho. Preocupado com o número mínimo de pessoas ao ano que poderiam ingressar na fronteira neozelandesa, o primeiro ministro de Tuvalu pediu o ingresso a totalidade de seu povo no país. Com isso foi criado um fato histórico na humanidade: o que fazer com refugiados ambientais? A nova Zelândia, receosa de criar um precedente para si, aceitou a criação de um programa gradativo para a inclusão do povo de Tuvalu em seu país, todavia, deixou claro que não o fez em decorrência dos problemas ambientais, e sim pelo elo de origens que liga os dois povos. A ressalva tem lógica, afinal, nenhum governo quer virar salvador de todos os povos  alagados do planeta.


Tuvalu revela um desafio a comunidade internacional, pois levanta diversas perguntas sem respostas. Como ficaria a soberania do Estado-nação, após ser engolido pelo Pacífico? Qual seria o status desses refugiados ambientais nos países que os acolherem, considerando que não há proteção jurídica oficial que os proteja? Como garantir a nacionalidade desse povo, sem um Estado?

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Seria muito fácil, como eu disse na postagem de ontem, atacar a consequência e não a causa. Para a comunidade internacional bastaria retirar essas pessoas de seus lares e colocá-las em locais geograficamente sustentáveis. Mas aí fica a minha pergunta: e a cultura, como fica? Os locais sagrados, a terra onde este povo nasceu? Vão deixá-la ser tragada pelo mar? Eu penso se fosse comigo. Eu aceitaria que me dissessem para sair do Rio Grande do Sul? Deixar para trás o Beira Rio, a redenção, deixar para trás, enfim, minhas raízes? É uma situação muito difícil. Porém, enquanto estivermos falando do povo de Tuvalu, essa modificação será aceitável. O problema considerável somente aparecerá quando ambientes de países poderosos se estabelecerem insustentáveis.

Era isso. Encerro aqui o resumo do meu TCC, apresentado há um ano atrás. O problema do Direito é a frustração de não poder mudar o mundo, pois logo todos somos engolidos pelo sistema. Se valer no futuro, fiz um trabalho diferente que garante dignidade a aqueles que não a tem ou que perderam com o passar do tempo.

FUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Um comentário:

Selena Linhares disse...

Incrível estas fotos...inacreditável o futuro desse povo,pelo menos para mim que nem sabia que eles existiam.Realmente,não é só colocar essas pessoas de um lado para outro, como se faz com "aquela poltrona" do canto da sala. Eu também não conseguiria me imaginar sem minhas raízes,sem meus cinemas prediletos ,sem a Igreja aonde fui batizada ou o Super-mercado onde faço sempre minhas compras.As lembranças...o cemitério onde estão enterrados meus entes queridos,enfim...deve ser muito difícil mesmo,principalmente para a Psiquê desta pessoas.