sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

DRÁCULA, O MORTO-VIVO

O jogo entre luz e trevas é um dos temas mais abordados entre os gêneros de romance e terror. Por diversas vezes os personagens encontram-se em uma encruzilhada extenuante para decidir o que fazer, seja certo ou seja por dentro dos abismos da escuridão. Drácula, de Bram Stoker, foi um dos primeiros livros a conseguir a manipulação quase que perfeita destes dois temas, chamando a atenção do expectador dentro de altas doses de adrenalina, salpicada em uma magnitude intensa de pensamentos (daquilo que é moralmente justo). Terminando-se o livro em uma semana, devorando-o, não seria incomum passar tempo igual digerindo-o, tamanha é carga interpretativa que a ficção encerra.


Mas hoje não estou aqui para falar de Bram, mas sim de seu sobrinho-bisneto, Dacre Stoker, que lançou, recentemente, a continuação do homônimo livro de 1888. Uma sequência bem recebida pelos fãs. Em um mundo onde a identidade dos vampiros está sob júdice, aparece uma continuação que resgata sua honra, tornando-os, uma vez mais, os mestres do terror, os senhores das trevas. Trata-se, na verdade, de uma retomada das origens do gênero, perdido entre histórias que mancharam sua dignidade, onde ocorreu a substituição da aura sangrenta por garotinhos de escolas, com maquiagens exageradas, e apaixonados por menininhas sem sal. A introspecção sobre os vampiros é una: sujaram sua imponência. Viraram motivo de piadas. Não mais.

O livro de Dacre Stoker se passa vinte e cinco anos após o original. Trata intensamente da repercussão que a história de 1888 garantiu aos personagens e como eles reagiram ao eletrizante embate contra o príncipe das trevas. Jonathan Harker, um dos heróis em questão, define os anos que sucederam:

“uma viagem aos Infernos, da qual nenhum deles regressou realmente.”

O principal elemento novo da trama, protagonista e fiel da balança ao longo do romance, é Quincey Arthur Jack Harker. O garoto, com os mesmos vinte e cinco anos passados, leva o nome de todos os heróis que lutaram a batalha final contra Drácula. "Com o nome, vem o legado". Melhor frase seria impossível de ser escrita sobre um personagem tão imaturo e intenso ao mesmo tempo. Um indivíduo cheio de dúvidas que nem imagina o conto de horror que precedeu seu nascimento. Em torno deste universo, o livro se sucede.

Muito mais do que uma ficção, Drácula traz a tona uma pergunta existencial. O que é o mal? Um questionamento plausível para respostas diferentes. No chocamos frente a duas versões: uma possível visão humana do rei dos vampiros, onde ele, na verdade, seria uma criatura não aceita, incompreendida, mas que deseja, ardentemente, recuperar sua humanidade perdida; a outra versão é mais simples, conhecida de todos. A noção do "diferente". O que foge a regra é a errado. Um demônio com boas intenções merece viver? Ou merece morrer pelos negativismos de ser um demônio? A carga que vem com o homem o define ou são seus princípios que julgam as diretrizes da obra? A corrente que prega isto, ao longo do livro, é a do grande estudioso dos vampiros, Abraham Van Helsing, principal rival de Drácula e fiel servidor de Deus. Van Helsing deixa claro que considera a maldição dos dentes caninos uma abominação a ser combatida.  Quem vence esse embate?

A narrativa é contagiante em terceira pessoa. Isto serve para dar uma amplitude maior aos personagens, em um jogo de cenas simultâneas. Os detalhes são tão meticulosos, por vezes sórdidos, onde somos capazes de gritar para o livro: "vai lá, herói, você consegue". A humanidade entre trevas é uma temática bonita. A questão das escolhas é revigorante, mesmo que sejam ruins, foram feitas e trazem resultados. Para a vitória final, sacrifícios são exigidos. E foram muitos ao longo das mais de quatrocentas páginas.

Apesar de tratar de criaturas das trevas, a história de Drácula é humana ao extremo. O novo livro foi uma homenagem a ficção de Bram Stoker, explorando detalhes não alcançados pelo primeiro. Por todos os pontos apresentados, "Drácula, o morto-vivo", é uma obra prima, revelando uma metáfora triste e apaixonante entre cinzas. Recomendo.

"Para todos os males, sangue é vida".

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Um novo quadro para o Gato Gordo. Irei desenvolver melhor a partir do ano que vem. Críticas literárias para o blog! Essa foi a primeira, mas pretendo me aperfeiçoar. Desculpem pelo texto grande, mas eles deverão ser assim.

BOM FINAL DE SEMANA!!!!!!!

FUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

3 comentários:

Selena Linhares disse...

Realmente uma bela e eletrizante narrativa para quem gosta de histórias de vampiros. Eu,confesso que me perco um pouco com tantos nomes. Não pretendo ser este meu comentário,a primeira crítica literária que tu pretende estabelecer em teu Blog.Não tenho condições de criticar algo que desconheço,mesmo porque,não leio livros sobre Vampiros, não é meu gênero preferido. Posso falar daquela parte em que existe a pergunta "o que é o mal?",Aliás...nem posso falar sobre issso ,porque escreveria muito. O mal,a meu ver ,é uma coisa muito relativa e muito ampla para ser definida com algumas parcas palavras. Outra coisa que concordo,mas talvêz não seja a conotação que quizeste dar ,é que " para todos os males,sangue é vida!",concordo,mas com certeza não tem a mesma conotação da postagem . Enfim,vou me limitar a ler,pois o texto é interessantíssimo e quem sabe não aprendo alguma coisa sobre o Drácula,vampiros,trevas,viagens ao inferno...Céus!

Maria Quitéria/ Quita disse...

Olá Gabriel. Não sei se esta sua postagem foi a melhor até agora...mas quero lhe dizer que ,para mim, veio muito bem,pois adoro tudo o que se refere a Vampiros e coisas do gênero. O Bran Stoker , realmente revolucionou , modificou para sempre as lendas e mitos que cercam essas criaturas exóticas,através de seu livro, Drácula , onde se inspirou no personagem Vlad III ( Draculéa ), o empalador. Lhe recomendo: "A noiva de Corinto" de Goethe,escrito em 1797 e também as famosas crônicas Vampirescas de Anne Rice. Um abraço e Feliz Natal e Feliz Ano-Bom.

Gabriel disse...

Talvez tenha me perdido um pouco entre os nomes dos personagens. Quem não leu o livro fica, de fato, um pouco confuso. Foi minha primeira crítica literária, pretendo me aperfeiçoar. Obs: Maria Quitéria, obrigado pelas dicas!

Obs2: Selena, a frase em questão, na verdade, foi exposta sim no livro hehehe. Pareceu ter outra conotação, mas não exatamente. pretendo deixar os contextos mais claros da próxima vez.

Um abraço, pessoal!