domingo, 18 de dezembro de 2011

MAGOS DA BOLA

Ao conversar com as pessoas mais velhas bate o saudosismo de que o futebol atual não pode ser comparado ao de antigamente. No passado, os grandes jogadores desfilavam lances de pura habilidade e a marcação não era tão ríspida. Concordo plenamente. Eram outros tempos. O esporte não era tanta mídia (saca, Neymar?) e o dinheiro era pouco. Antes de 2006, quando meu Inter venceria o mundial, pensava que havia uma diferença continental muito grande, em termos de valores financeiros, para times sul-americanos conquistarem a competição. Nós convivemos com as limitações e improvisações; os europeus escolhem o jogador que quiserem e trazem sem maiores dificuldades. Fui consultar o histórico do torneio e vi que, com a vitória de hoje do Barça, o desequilíbrio é equilibrado: 26 vitórias para as metrópoles; 25 para as colônias. Ou seja, eu estava enganado.

É possível sim nossos campeões vencerem os estrangeiros do templo do futebol. Muitos times já mostraram isto, tais quais São Paulo e Inter, recentemente. Mas aqui tenho de colocar uma vírgula. É possível, mas não contra o Barcelona, não contra este Barcelona. Esse é um time que faz jus ao que os jogadores do passado faziam, compilando habilidade pura, um jogo vistoso e uma mecânica que desafia a física. Se reclamam dos altos salários, estes jogadores fazem valer cada centavo, pois em um mundo onde o futebol é feio, destruidor, o Barça achou uma forma de deixá-lo bonito, espetaculoso, uma ópera em sincronia perfeita, regida por um maestro que é a grande revelação entre os treinadores dos últimos trinta anos.

O Santos de Pelé perdeu hoje. Quem dera o rei estivesse em campo, pois mesmo com ele, o Peixe teria que suar sangue para conseguir vencer o Barça. Tudo vem como uma lição. Espero, agora, que a explosiva imprensa contenha seus comentários endeusando Neymar e Paulo Henrique Ganso. Bons jogadores? Sim. Craques? Falta muuuuuito. Atiçaram tanto a comparação entre Messi e Neymar que foi até constrangedor observar o brasileiro estagnado em campo vendo o argentino fazer sua magia. Mais do que a torcida, nossos veículos de comunicação devem se reeducar. Chega de mídia externa ao campo. Com quem tal jogador está saindo, onde foi, o que fez ou, simplesmente, que ele é o melhor do mundo, sem testes de fogo. Tudo isso não interessa, depreda o patrimônio humano futebolístico; deturpa. Se quisermos recuperar a hegemonia do esporte, muitas coisas devem mudar, a começar pela humildade!

Messi é um craque. O Brasil não tem nenhum jogador que atinja tal categoria na atualidade. Se focarmos no campo, com menos mídia desprezível, aí sim teremos uma chance! Volta, Brasil!

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Ah, o Gato Gordo não perder seu elemento humorístico. Não posso evitar de colocar este vídeo. Trata-se do lateral esquerdo Léo, do Santos, presente no jogo de hoje, falando, após o título da libertadores, sobre o Barcelona. Impossível não esboçar um largo sorriso! OHOHOHOHOHOHOOHOH



HOHOHOOHOHOHOHOHOHOOHOHOH

Um comentário:

Anônimo disse...

Fala blogueiro!!

Aparentemente o público do teu blog é majoritáriamente feminino, considerando a ausência de posts nesse tópico.

Pois bem , vamos lá...

Falta humildade e comprometimento para os jogadores brasileiros, essa é a verdade!!

Após o fracasso de 82, onde perdemos jogando bonito e coletivamente, nos demos conta que não éramos mais os melhores do mundo e, tal sentimento perdurou por 12 anos, até levantarmos a taça em 94.

Em 94 jogamos com gana e humildade, futebol feio alguns dizem, mas vencedor. Passados 24 anos e pós Romário, Ronaldo, Rivado, Ronaldinho, mesmo que já não estejamos no topo há 9 anos, ainda continuamos nos achando os melhores, o país do futebol.

A mídia tem parcela significativa de culpa nisso.

Acho que a Copa do Mundo será mais um divisor de águas, fiasco que nos fará bem, sendo realista, sem qualquer grau de secação. Com a virtual derrota, talvez, possamos reaprender que o futebol é coletivo, que não devem prosperar as vaidades, o individualismo..

Está aí o Messi para provar, incrivelmente um Argentino que não parece Argentino, futebolisticamente falando, e que, em decorrência disso, podemos nos despir de preconceitos, bairrismos e admirá-lo como pessoa e futebolista.

Saudações