sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PÁSSARO MENSAGEIRO

A gatinha acusava problemas já fazia algum tempo. Suas patas traseiras não representavam mais a mesma força e versatilidade de outrora. O prelúdio do fim, a morte ainda em vida. Um sofrimento deprimido sem a certeza do tempo o qual ainda poderia gastar seus últimos miaus. A dona sabia da situação, mas preferia pensar positivo. Essa era uma de suas características. Se chegasse a hora do animal de estimação, saberia que certas coisas são impossíveis de evitar. Doce mentira. Tentou de tudo, mas a gatinha se foi, partindo da vida para um lugar aonde as dores e as tristezas acabariam de vez.

A dona sempre fora uma mulher cética, comportamento herdado de sua mãe. Tudo acontece aqui e acaba aqui, não vai mais além. O erro encontra-se em ser absoluto, pois a vida pode nos surpreender. Certas vezes damos o braço a torcer a fenômenos que não sabemos explicar, mas que nos tocam. Coisas simples, que revelam detalhes de um sentimento vacilante, uma vontade mascarada de acreditar, mesmo que as crenças não se submetam ao que não é humanamente viável.

Naquela mesma caminha, onde a gatinha vivera por tantos anos, onde o sono fora mais pesado que morfina, onde a mesma girava em torno de seu eixo levantando a volumosa barriga para receber um confortável carinho; naquela mesma caminha, ela voltara. Não na forma comum, graciosa, bicuda, um pouco arisca para visitantes, não, mas dentro de um novo invólucro carnal, um pássaro sabiá. Um pássaro sabiá, das ruas, entrou na casa e pousou por longos minutos em um único lugar. Coincidência? Mesmo nas coincidências existem extensões de verdades ou estigmas de conforto.

A dona viu aquilo como uma pequena mensagem. No mesmo dia em que se fora, a gatinha voltara para dizer que ficasse bem, pois ela ficaria. Por instantes, pareceu ter encarnado em outra criatura, apenas para matar a saudade, apenas para dizer um "até outra hora". A emoção tomou conta, o ceticismo se foi, as dúvidas se foram. A despedida que jamais acontecera se consumou. Uma separação temporária, pois o elo jamais seria quebrado.

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Eu entendo como deve ser dolorosa a morte de um bichinho de estimação. Na verdade, deve ser como a perda de um membro da família. As pessoas se apegam a eles, depositam características suas. Mas a vida segue, não é o fim do mundo! Ficam as memoráveis lembranças, conduzindo-as sempre ao futuro. O importante não é saber como morreu, mas sim como viveu.

FUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

5 comentários:

Anônimo disse...

Adeus Bibit.
by loko

Ana Maria disse...

Adeus minha BIBIT querida! Lembro-me das tentativas de querer pegar você no colo,lembra? Você sempre fugia de mim ,mas eu conseguia "caçá-la" e aí eu lhe apertava bastante e fazia todos os carinhos que tinha vontade ,pois adoro gatinhos.Adeus Bibit...sei que existe um lugarzinho aí,onde você está , que se assemelha ao lugar onde você sempre viveu , com seus "pais". Bibit querida...arisca,de olhar desconfiado, mas sempre do bem,nunca agressiva. Embora eu nunca tenha sido sua amiga mais preferida,pois você sempre fugia de mim quando eu queria pegá-la , eu sempre lhe amei muito pelo simples motivo de você ,com aquele seu estilo bem próprio de ser, ter feito a felicidade de meu pai e minha mãe,por 16 longos anos.
Tchau BIBIT.

Anônimo disse...

Bibit...você foi a alegria de seus donos. fica com Deus!

Maria Quitéria/Quita disse...

Não sei quem foi a Bibit,mas acho que deve ter sido uma gatinha muito amada...por muitas pessoas. Os animais,principalmente os gatos ,são sêres de Deus e devemos respeitá-los muito.Eles pressentem qualquer coisa sobrenatural ( o Filme Ghost,mostra isso) Parabéns a essas pessoas que cuidaram da Bibit e a amaram como se fosse um membro da família. Me solidarizo a todos que tiveram o privilégio de compartilhar um minuto que fôsse com a Bibit. Faço isso ,porque sou seguidora assídua do Blog e tudo que for postado ,eu gosto de comentar.

Vanessa disse...

Pelo que deduzi da postagem de nosso estimado Blogueiro e cujo Blog sigo sempre , a gatinha Bibit morreu e reencarnou em um pássaro muito arisco que é o Sabiá,pois na postagem o Gabriel diz que o pássaro estava no lugar que a gatinha costumava ficar...bem gente,isso é no mínimo estranho. Eu acredito,pois sou espírita.Não sei qual será a sequência disso,mas acho que esse pássaro nunca mais sairá dêste lugar,ficará no mínimo,nos arredores.Amor a todos os animais,eles são o nosso apoio e nossa felicidade em todos os momentos de nossas vidas ,principalmente nos momentos dolorosos.