quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O FANTASMA DA ÓPERA

Meus gostos para filmes estão ficando cada vez mais rebuscados. Não filmes somente, mas histórias em geral. Belas tramas que, além de uma capa bonita, possuem uma mitologia por trás, representada por atos intolerantes que se chocam diretamente com o destino dos personagens. De forma suave na expressão, essa é a premissa de "O Fantasma da ópera", romance do francês Gaston Leroux, lançado no início do século passado. Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas bastaria, nesse caso, assistir ao musical ou a película de 2004, que compreendem toda a profundidade da mensagem e a beleza das melodias.

Nos calabouços do teatro de Paris, um jovem cresceu longe dos olhos do mundo com medo das adversidades que a sociedade lhe impôs. Antes torturado por seus donos e exposto em público como moeda de troca, recusou-se a sua realidade e fugiu na esperança de uma vida melhor, encontrando refúgio no local mais remoto da ópera: seus infernais porões. Enclausurado da existência, libertou sua alma para a criação. Fez estudos minuciosos da arquitetura do prédio, da composição das canções e tornou-se um gênio de diversas áreas, um professor universal e, por sua extrema inteligência, um instrutor anônimo alvejado por marcas que jamais poderia ignorar.

Laçado em solidão, viu em semelhante circunstância parecida. A menina Christine Daaé, atriz da ópera, havia perdido seu pai. O dito Fantasma sensibilizou-se com a situação e impôs seus ensinamentos em segredo para a garota, sem jamais ter sido visto por ela, como se fosse um anjo da música enviado dos céus. O trabalho do tutor atingiu o ápice quando Christine veio a se tornar a mais importante cantora do teatro, saudada por todos e elogiada amorosamente pelo principal investidor: Raoul de Chagny.

O que o Fantasma não contava, entretanto, era que se apaixonaria perdidamente por Christine, emoção que nunca havia sentido antes, pois todos sempre o trataram com o desprezo dos doentes, como se fosse uma aberração atrelada a um engano de Deus. Quando recebeu o respeito e admiração da jovem viu uma compaixão que jamais aquecera sua alma. Aquele que surgiu em sonhos idealizou um estranho dueto pelo qual as vozes de homem e mulher estariam combinadas como uma. Ele era o Fantasma da ópera, a lenda a qual todos recuavam em receio, mas uma única pessoa na Terra, finalmente, poderia dizer que não teve medo.

Christine, então, encontrava-se frente à admiração que sentia pelo seu anjo da música e pelo amor a Raoul. Sua latente inclinação ao conde fez o Fantasma transformar sua genialidade em loucura, sequestrando a jovem para seus porões e revelando o porquê de sua reclusão. O amor tornara-se odioso, possessivo. No rosto, vestia uma misteriosa máscara branca, cobrindo parcialmente o lado direito da face, porém protegendo, na verdade, seu passado, suas vergonhas. Christine não sabia, contudo, que a máscara do seu coração fora ela quem pusera, protegida por rígidos sentimentos inadvertidamente despertos. Removido o invólucro, revelaram-se os traços desfigurados de um menino torturado na infância, brinquedo humano de um circo desumano. O desprezo que o mundo sentia pelo Fantasma, portanto, era o desprezo que ele sentia pelo mundo.

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Acho que todos já se sentiram, em algum momento, como o Fantasma da Ópera. O medo criado em torno de imperfeições e estimulado por baixa autoestima. O final da estória, portanto, é uma lição de que nem tudo é o que parece e mesmo pessoas perdidas da sociedade, anjos no inferno, podem alcançar sua redenção através da compaixão. Por vezes somos tão injustos de não darmos valor ao que temos, mas sim ao que não temos. A distorção, portanto, não reside em deficiências do corpo, mas em deficiências da mente!

O que meus seguidores acham dessa história? Eu fico abismado com a beleza dos traços. Para mim é coisa de gênio. Este foi o único filme, em minha vida inteira, pelo qual escorreram lágrimas sinceras de emoção. Abaixo, um curto vídeo com a principal canção do musical, misturada entre cenas. Vale a pena conferir.


13 comentários:

Luz Maria Velloso disse...

Quando fiz o comentário sobre o "lindo BBB Global", e agora vendo essa obra de arte que é o musical o Fantasma da Ópera ,era mais ou menos isto que estava querendo dizer.Tudo bem que essa peça musicada ,atinge apenas a parcos brasileirinhos,falo em brasileiros,porque em país de primeiro mundo,ir a Óperas e teatros é coisa corriqueira,pois quer queiramos ou não,o povo de primeiro mundo é mais culto , isso não se discute ( eu acho!).Não vou me estender ,porque ficaria cansativo e isso é apenas um comentário da bela postagem que o Blogueiro fêz dessa Obra de Arte. Parabéns por nos oferecer cultura,parabéns por ser culto em um mundo de incultos ,por ser um "propagador" da cultura ,entre outras coisas. Abraço.

Selena Linhares disse...

Belo musical. Assisti em Paris. Tinha que ser ,não é mesmo? Como falou a Luz , esse tipo de espetáculo,somente em primeiro mundo.

Bruxinha Chic disse...

Foi um dos filmes mais belos que ja assisti!

Maria Quitéria/Quita disse...

Le Fantôme De L'opéra. Musical exelente que até hoje ,dêsde sua estréia em 1986,bate recordes de público na Broadway. Ganha até do famoso "Cats",que também tem um público cativo. Bela mensagem...bela música...belo figurino...bela postagem. Só não sei se vai "mexer" com o coração dos seguidores,porque é uma história com uma mensagem muito sutil e é preciso ter muita sensibilidade para entendê-la.

Gabriel disse...

De fato, vocês todas têm absoluta razão em seus comentários. Principalmente a Maria Quitéria.

Gabriel disse...

As pessoas tem uma visão limitada da realidade. O Fantasma da Ópera é uma metáfora cintilante do que é o mundo atual, mesmo tenso sido escrito há um século atrás.

Anônimo disse...

Posso estar enganado, muito provavelmente não estou, mas penso que a Quitérinha inicialmente e, o blogueiro,num segundo momento, estão cometendo o pecado da generalização chamando os demais seguidores do blog de insensíveis e de pouca cultura.

Gabriel disse...

Prezado anônimo, se essa foi a impressão que causei, peço desculpas. Jamais afirmaria nada nesse sentido, pois admiro meus seguidores, pessoas letradas e inteligentes, tal qual é o blog. Eu só quis afirmar que o Fantasma da Ópera é uma estória de 300 páginas, sendo que deveriam ser muitas mais, pois a mensagem por trás do livro é uma metáfora cintilante do que é a vida. Muitos não se identificam, eu entendo, mas outros muitos se identificarão, pois, como eu disse, em algum momento da jornada, todos já fomos fantasmas.

Bem, reitero minhas desculpas e espero que tenha esclarecido o fato.

Gabriel disse...

E apenas comentando o que a Maria Quitéria falou, em nenhum momento ela usou as palavras insensibilidade e cultura. Acho que ela só quis dizer que muitos vão ler meus texto como uma postagem normal, o que é uma grande verdade; outros vão "sentir" o que ela diz. As pessoas são diferentes e, informalmente, já conversei com seguidores que provam as duas teorias. Nenhum deles é melhor que o outro por isso, são apenas, como eu disse, diferentes.

LUZ MARIA VELLOSO disse...

Já comentei a Postagem em questão no dia 19/01/2012. Mas sou forçada a fazer novamente um comentário , para em primeiro lugar,me confraternizar com o Blogueiro e com a Maria Quitéria,que é uma fiel seguidora do Blog e sempre faz comentários de muito boa qualidade. Como disse,serei forçada, ( o que para mim não é problema algum!), a comentar o comentário de mau gosto do anônimo do dia 26/01/2012 : em primeiro lugar,para chamar uma seguidora do Blog que se chama Maria Quitéria de "Quiterinha", ou tu a conheces, ou tu a estás depreciando pejorativamente . Tu perdeste uma bela oportunidade de aprender um pouco mais,fazendo um comentário positivo sobre a "Postagem" ou,quem sabe ,até perguntando mais detalhes sobre o assunto para o Blogueiro ( que também tu "cutucasse");com certeza deves fazer parte deste grupo que perde tempo em ofender e ,com isso,perde a oportunidade de aprender. Talvêz...(não sei),sejam esses( onde tu te enquadras perfeitamente) que a Quitéria se referiu ao dizer : "mexer com o coração dos seguidores". Para esse anônimo digo o seguinte: "É fácil ser diferente...difícil,é ser MELHOR!"

Anônimo disse...

Tá enganado sim "cara pálida", quem ofendeu foi tu meu e não a Quiteria. Ela tem razão sim ,tem muita gente que nem sabe que o Fantasma da Opera...ahm!é o Fantasma da Opera...ahm!Por outro lado,tem muita gente que sabe e até já assistiu a peça( ou o filme) e sabe toda a história...ahmmmmm!

Anônimo disse...

De uma forma bem resumida,a peça O Fantasma da Ópera,baseada na obra de Gaston Leroux,ambientada no teatro de Paris ,no século XIX,narra a história da paixão e loucura de um misterioso gênio que se esconde atrás de uma mácara branca e é conhecido como o Fantasma da Ópera. Ele se torna ,secretamente, mentor da jovem Christine Daaé,ensinando-a a cantar e em troca,o fantasma pede a ela ,uma única coisa: que ela o ame.
Um musical com doses exelentes de drama,suspense e ação.

Guilherme disse...

Não acho que houve o pecado da generalização ,uma vêz que a seguidora Maria Quitéria,realmente não ofendeu ninguém. Ela apenas fêz uma constatação,que é verdadeira ,muitos dos seguidores nem sabem que existe uma peça chamada O fantasma da...bá...bá...bá!Mas muitos seguidores sabem. Quem deve analizar isto é o Blogueiro,quando vê os picos que suas postagens atingem. Aqui,na parte dos comentários, é uma minoria que posta e quase sempre os mesmos.