quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CARNAVAL

O Carnaval passou. Tem gente que vive dele e espera pela data o ano inteiro. Donos de escolas de samba, dançarinas, atrizes dotadas de corpos esculturais ou, simplesmente, os vagabundos que não gostam de trabalhar. Passei esse verão em Santa Catalunha. Foi bom, na medida do possível. Porém a praia vira um formigueiro e os mínimos espaços são disputados a ferro e fogo. Outras coisas, todavia, também acontecem.

Estava eu e meus companheiros (as) de viagem em uma volta de carro pela praia de Canasvieiras. As ruas cheias, o ar quase rarefeito e os obstáculos na via, por longos minutos, intransponíveis. Repentinamente, uma senhora já de idade aproveita nosso deslize de andar com os vidros abertos (para amenizar o calor), e dispara jatos de spray vagabundo dentro do carro. A sujeira foi grande até conseguirmos fechar as janelas. Minha vontade na hora? Revidar. Mas eu, conhecedor das leis, sei que isso apenas estragaria minhas férias. Provavelmente uma ocorrência na polícia protelaria meu descanso - não era isso que queria. O problema do Carnaval é a perigosa equação resultante de bebida e cabeças fracas. O álcool é a causa primeira do descontrole, do exagero e gera os mais diversos problemas quando consumido em doses titânicas. Beber às vezes faz bem, liberta a alma, faz esquecer fatos desagradáveis, mas só gera confusão quando permite ao consumidor ferir a liberdade de outras pessoas, justificando seus atos por uma festa aonde todos caem na folia, mas que nem todos desejam ser frustrados em seu próprio espaço.

Minhas lembranças desse verão serão ótimas, apesar desse fato lamentável. Na mesma noite, ainda tive a infelicidade de ver uma mãe desesperada, gritando pelas ruas, em função de algum problema que havia acontecido com sua filha. A menina estava desacordada e vi um carrinho bebê conforto jogado no chão. Raciocinei uma queda, mas não posso afirmar nada. É bom cair na folia? É, mas com responsabilidade. Carnaval é divertido por ser um momento onde o país está unido em torno de uma festa popular consagrada, entretanto gera também muita confusão quando as pessoas perdem a noção do bom senso.

Cuidem-se! Sempre.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

[PERSONALIDADE DO DIA] - RUDOLPH VRBA

"O trabalho liberta". Uma ironia aos que cruzavam os portões de horror do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial. O sofrimento a que os judeus passaram foi uma mancha na história da humanidade, mas também foi a mola propulsora para a legalização dos Direitos Humanos, através de diversos documentos que se sucederam posteriormente. Para um dos prisioneiros, todavia, Auschwitz não foi implacável, pois permitiu sua fuga desesperada por sobrevivência. Rudolph Vrba, eslovaco, ganhou notoriedade após escapar do campo de concentração e fornecer, à resistência contra o Nazismo, detalhes precisos sobre o extermínio de judeus. Seu relato ficou conhecido como "Relatório Vrba - Wetzler", de 32 páginas, que recebeu o seu próprio nome e o de outro fugitivo, Alfred Wetzler. Os dois foram os únicos que gozaram de tal sorte.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

TÁ COM VONTADE DE FAZER UM FILHO?

Faça à vontade. Aparentemente, para a maior emissora de televisão do Brasil, "fazer xixi" em vias públicas é mais importante do que campanhas a favor do uso de camisinha no Carnaval - não só nele. Devo estar sendo óbvio demais, pois o bom senso não me pertence; a crítica, muito menos. Em minhas férias na ilha de Florianópolis, limitado exclusivamente pela televisão da antena local, fui obrigado a assistir incessantemente ao jingle global que caiu na boca do povo. Trata-se de uma poesia de Camões:

"Tá com vontade de fazer xixi?
Não faz aqui, não faz aqui".

Divertido ele é. Revela um problema atrelado a má educação de alguns que não respeitam a ordem pública, mas convenhamos, convenhamos e convenhamos de novo: eis tudo. O xixi não gera filhos imprevistos que, posteriormente, serão marginalizados pela irresponsabilidade dos pais. Os mesmos crescerão sendo o fruto de um desejo carnal, nunca amor verdadeiro, provocado, principalmente, pela bebida excessiva e carência de informações. Já está aí um argumento sólido, além, é claro, das doenças que passam de corpo em corpo. O cheiro de urina dura uma ou duas semanas quando não levado pela chuva, não dezoito anos. Também não garante ínfima parte do sofrimento causado pela Aids ou outras doenças sexualmente transmissíveis. A Globo perdeu uma grande oportunidade para ponderar os problemas da sociedade e avaliar melhor suas campanhas. Uma constelação "caída" de artistas que dedicaram sua imagem a uma questão mínima, não preponderante e desnecessária.

Acho que expus meu ideal. Usei como exemplo decisivo o uso de camisinha, mas há muitos outros casos que aparecem antes de uma "calibragem na bexiga". É só escolher e escolha bem antes de avaliar suas prioridades. Faça xixi no banheiro! E use camisinha. E não beba se dirigir. E leia mais livros. E respeite os idosos. E não ouça música alta nos ônibus. E parem de cantar essa maldita música!

Gato Gordo de volta e em definitivo. Foi-se o verão. Agora vou saindo, pois deu vontade de fazer xixi e eu não posso fazer aqui.

Até mais!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

GATO GORDO E MAIS UM RECESSO

O Gato Gordo vai parar até dia 27 de fevereiro. Vou viajar para Santa Catarina e curtir uma praia. Na volta, retomo com tudo! Enquanto isso, que tal meus seguidores darem uma lida na minha crítica sobre o livro "Assassins´s creed", logo abaixo? A maioria não gostou da primeira que fiz, sobre "Drácula". Sejam honestos, para mal ou para bem, e me digam se melhorei!

Grande abraço a todos e ótimo Carnaval!

ASSASSIN´S CREED: RENASCENÇA

- É uma vida boa que levamos, irmão.

Ézio: a melhor. Que nunca mude!

- E que nunca mude a nós mesmos.

                        Ézio Auditore, antes de tornar-se um assassino.




Há uma moda bastante evidente e inegável no mercado da literatura: a inserção de poderosos e fictícios personagens sob fatos históricos notórios. Sendo essa a onda, nada melhor do que a leitura de uma estória em um momento onde o mundo deixou de lado a escuridão da Idade Média, abrindo-se para as artes, para a liberdade intelectual: o Renascentismo. Um período de grande importância frente à retomada dos mínimos ideais de humanidade e que, na figura da família Auditore, nos fascina frente ao potencial destruidor que o poder encerra.

Pelas ruas e becos de Florença, um jovem corria livre sem receios sobre o futuro que se avizinhava. De conquistas amorosas a brigas contra desafetos de famílias rivais, vivia intensamente, esperando que aquilo nunca mudasse. Ézio Auditore, todavia, não sabia o que o destino lhe reservaria. Entre os segredos mais ocultos de um clã muito anterior a ele, o jovem tomaria partido em uma guerra ancestral começada mil anos antes. Traído por companheiros, viu seu pai e irmãos perecerem sobre a forca de rivais. Ali jurou vingança, porém não se submetendo a maldade, nunca a maldade, mas sim ao credo de honra que tocou seus antepassados. Ézio, portanto, virou um assassino.

"Que mundo é este em que vivemos, onde a crença pode ser manipulada com tanta facilidade?"

                                                       Ézio Auditore, um assassino.

Assim, o livro exibe um confronto entre a ordem de Ézio contra os últimos redutos dos cavaleiros templários que, no contexto da ficção, eram os vilões - mandantes e executores de sua família - eruditos de um conhecimento antigo achado no templo do Rei Salomão, porém com más intenções. A narrativa, em terceira pessoa, nos leva entre caminhos obscuros, onde Ézio forma uma teia de pessoas que idealizaram o crime contra os Auditore, mas que também guardam um segredo muito maior do que peças em um tabuleiro. O desenvolvimento do personagem, portanto, acontece dentro dos inúmeros assassinatos que executa, em prol da justiça, amadurecendo a uma vida que jamais desejou, mas que as circunstâncias lhe fizeram tomar.

Assassin´s Creed Renascença, na forma que veio ao mundo, cumpre sua finalidade. O autor, Oliver Bowden, pseudônimo de um grande historiador do Renascimento, novelizou o potencial imenso da franquia de jogos no videogame, que já conta com quatro títulos. O livro é riquíssimo em detalhes e ambientação nos faz acreditar, por vezes, que estamos presentes naquele tempo. Nesse sentido, o texto informal, onde se dá a inserção de um antiherói dentro de acontecimentos reais, fornece uma adrenalina a mais, tomada pela reescrita da própria história, levando a imaginação do leitor as alturas.

Um ótimo livro, cheio de ação e cultura. Recomendo!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SETE FRASES PARA PENSAR II

Retomando o quadro de frases que lancei no blog em Agosto do ano passado, hoje postarei uma nova safra, coletada ao longo de leituras diversas que faço ao longo dos dias, semanas e meses. Analisem.

1) É mais fácil desintegrar um átomo do que desfazer um preconceito - Albert Einstein.

2) Conclusões apressadas mostram que, na história, sucesso e fracasso são sempre conceitos relativos e raramente permitem comparações - Laurentino Gomes, no livro "1808".

3) Você tem ideia do que é querer tanto algo, ver isso ao seu redor todos os dias e saber que é um fruto proibido? É de enlouquecer qualquer um - Quincey Harker, personagem do livro "Drácula", de Dacre Stoker.

4) Ego sum qui sum. “Sou o que sou”.

5) A medida de um homem é tomada pelo que ele faz com o poder - Platão.

6)  Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve - Ricardo Conzatti, meu professor de Administração no CETEC/Porto Alegre.

7) Para vencer na vida, exija muito de si e pouco dos outros - Confúcio.

Era isso por hoje!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

POEMA DE JÚNIOR KYLE

Minhas tardes de colégio ficavam mais engraçadas ao assistir este seriado: "Eu, a patroa e as crianças", dos irmãos Wayans. No vídeo abaixo, a prova de amor do personagem Júnior Kyle a seu pai, Michael. OHOHOHOHO


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

[PERSONALIDADE DO DIA] - GIULIANO DI MÉDICI

Irmão de Lorenzo, o magnífico. Figura importante na história, pois  sua morte gerou um poderoso contra-ataque por parte dos Médici. Giuliano participava de um evento no domingo de Páscoa, em 1478, quando foi alvejado por facadas em uma tentativa fracassada de golpe na Florença renascentista: a conspiração dos Pazzi, liderada por um padre chamado Jacopo de Pazzi. Lorenzo, também no local - e o principal alvo - sobreviveu e caçou os conspiradores um por um. Giuliano morreu, mas seu óbito garantiu a paz - após muita diplomacia - na dividida Itália do Renascimento. Paz que acabaria com o fim da vida de Lorenzo, em 1492.


Giuliano di Médici, por Botticelli.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CASAMENTO VIA EMAIL

Recebi o seguinte email, em minha caixa de spam.

"Prazer em conhecê-lo. Meu nome é Shara, eu sou uma menina nunca se casou eu vi o seu perfil hoje, exatamente quando eu estou procurando uma relação mútua com um homem vibrante e inteligente ou mulher e viu o seu contato e foi tocado em meu coração para saber mais de você, que é a razão porque eu soltar este linhas depalavras para você, por favor, eu gostaria que você me responda. Creio que podemos conhecer uns aos outros mais de aqui e eu vou lhe enviar as minhas fotos e as fotos completas de mim mesma. Obrigado e eu espero para seus agradecimentos a mais breve possível resposta. Beijos fortes de falta. Shara".

O que dizer? Em primeiro lugar, achei que tratava-se de um português arcaico falado séculos atrás, mas não, se resume a um português burro mesmo, falado nos dias atuais. A menina quer conquistar um homem intelectualizado como eu com um texto mal escrito como esse? Já começou mal, pois gosto de mulher inteligente.

Da mensagem depreende-se a situação de uma pessoa desesperada. "Nunca me casei" e está a procura de uma relação mútua... via email. Ou seja, se eu for um demônio cuspidor de lava devorador de criançinhas, para ela não interessa, pois quer uma relação mútua, um casório, independente de me conhecer. Psicólogas que me seguem, analisem o caso, por favor. Mas Shara não errou sobre tudo. Acertou quando me refere como um homem vibrante e inteligente. Convenhamos, em terra de Ronaldinho, Neymar e Belo - feio - quem não quer um Gabriel Guidotti? Ela tem bom gosto, admito, mas dificilmente terá uma chance, até por que nem segura da sua sexualidade está. Deseja um romance, com um homem OU uma mulher! Que safadonha...

Não sei como ela conseguiu meu email. Talvez a justificativa esteja na caixa de spam. Talvez ela nem exista, talvez nem eu exista! Diz ainda: "(...)eu vou lhe enviar as minhas fotos e as fotos completas de mim mesma(...)".  Ou seja, Shara enviará fotos suas E de si mesma. UAUUUUUUUUU, para tudo! Ego e altergo reunidos em um mesmo tempo e espaço. Não acredito nisso, é utopia - e bem mentirosa.

Bem, Sharinha, não vou lhe responder. Siga o ditado que ouvi certa vez: "sempre existe um chinelo velho para um pé torto". Um dia você encontrará alguém que lhe complete, mas esse não serei eu. E pare de procurar na internet. Lá todos são perfeitos demais. Que graça tem a perfeição? É a imperfeição que nos deixa singulares!

Lamento qualquer coisa, "vai pro inferno, vírus desgraçado" e passe bem!

Era isso por hoje.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

GATO GORDO INTERROGA: ATENDENTE DA NET

Nessa verdadeira balbúrdia que está ocorrendo frente a transmissão dos jogos da Libertadores da América, este que vos escreve ligou para sua operadora de TV a cabo buscando informações sobre a condição na qual a paixão do torcedor será submetida em 2012. Escutaremos a competição no radinho ou assistiremos aos jogos pela televisão? O atencioso atendente Leandro da NET - provavelmente vacinado de sempre responder as mesmas perguntas - falou ao dono deste blog sobre o momento turbulento que passam as negociações para a transmissão. Devo deixar claro que não possuo recursos de gravação telefônica, portanto unifiquei trechos das falas do atendente com ideias que ele deixou claras, porém não literalmente.

1) Boa tarde. Sou cliente NET e busco informações a respeito do canal FOX Sports, o qual detém os direitos de transmissão da Libertadores da América. Sou colorado, meu time joga hoje, poderei assisti-lo?

Leandro: Boa tarde, senhor. Infelizmente não nos passaram nenhuma informação oficial. Estamos no meio de uma negociação que se arrasta  entre as empresas detentoras dos direitos. O canal, até que este impasse seja solucionado, permanecerá fora da grade. No momento, não há vinculação entre o FOX Sports com a NET, apenas com outras empresas.

(Blá Blá Blá e "meu chefe me mandou dizer isso". São muito bons e chatos em vender. Na hora de dar justificativas, ficam abandonados por informações oficiais).

2) Há previsão para que o impasse seja solucionado?

Leandro: Isso é um problema das empresas. Não posso fornecer prazos, pois as negociações podem se estender. Infelizmente, tudo que eu falar agora é especulação.

(A previsão é simples: quando o dinheiro for suficiente e quando a Globo parar de incomodar. Afinal, a emissora do falecido Roberto Marinho perdeu um de seus principais produtos. O torcedor que retroceda ao radinho ou as carruagens que trazem notícias do povoado vizinho).

3) A gênese do problema é financeira, evidentemente. Mas quem segura o bastão que está protelando a exibição dos jogos? A NET ou a FOX?

Leandro: Falta acordo entre as partes sobre a cobrança do produto. O impasse reside no fato de que o canal FOX seria pago e limitaria o acesso aos jogos por parte dos torcedores, que antes assistiam de graça, por exemplo, através da rede aberta.

(O novo canal gera custos. Quem não tiver TV a cabo, não assiste).

4) A NET assumirá o risco de ver pessoas migrarem de TV a cabo? Futebol é um dos principais produtos de transmissão nos dias atuais.

Leandro: Sim, assumirá e já está assumindo. Hoje mesmo ministrei diversos cancelamentos de pessoas que não aceitaram ficar sem assistir seu time da Taça Libertadores. É um ônus que a empresa correrá até que as negociações sejam fechadas. Eu, como gremista, entendo a atitude do assinante.

(Pobres assinantes desistentes. Não sabem o que é o sofrimento para cancelar um serviço NET. Arder na fogueira da igreja medieval vira o paraíso perto disso).

5) O jogo do Fluminense foi exibido pelo canal Speed. Aquilo foi uma exceção? O mesmo poderá acontecer com o jogo do meu time, o Internacional?

Leandro: Essa é a informação que temos. Pode ser que o sinal seja liberado minutos antes do jogo, mas não posso garantir nada. A NET não nos passou nada, é apenas uma especulação frente ao que aconteceu no jogo do Fluminense.

(Ainda procuro entender o critério que levou a FOX liberar o sinal para o jogo do Fluminense, mas não para o do Internacional).

6) Tu achas justo o que está acontecendo? Pois me parece que a paixão do torcedor está se submetendo a uma guerra financeira entre duas empresas.

Leandro: Libertadores nunca foi comercializada pela net, mas sim o PFC, Série A e campeonatos regionais (...).

(Tirou a NET da reta, sendo que, nos bastidores comenta-se o endurecimento das negociações por pressão da Globo. Ela tem culpa sim. É inaceitável que o amor de um torcedor por seu time, através do acompanhamento televisivo dos jogos, fique sujeito a essa birra de empresas. I-N-A-C-E-I-T-Á-V-E-L!

Bom final de semana!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O CRONISTA

Sou um cronista simples. Já fui elogiado e criticado. Minhas palavras saem como uma erupção vulcânica e o blog, portanto, foi uma forma de expansão em minha vida. Muitos são como eu, concisos. Nem todos sabem de suas reais qualidades e virtudes. Alguns exageram. Outros deixam a desejar. Então não posso reclamar de estar na exata posição onde estou. Como disse, sou um cronista simples. Escrevo de forma simples e pragmática. O mundo é objetivo e preciso me adaptar ao mundo.

Tenho lido muitos outros blogs. Um de meus hobbies é anotar palavras difíceis da língua portuguesa as quais desconheço o significado. Se as usasse por aqui, o Gato Gordo ficaria muito seletivo e chato. Uso em outras mídias, portanto. Minha ideia sempre foi neutralizar os devaneios de minha mente. Acho que faço isso com maestria. Uma compilação de palavras bonitas não faz um texto; o nexo faz. Se me pedissem para descrever uma mesa, eu diria simplesmente: "dá para sentar e jogar Poker" - ou não - mas poderia muito bem dizer que "o belíssimo carvalho ficou perfeito na forma de um suporte para refeições e entretenimento". Todos entenderiam? É possível, porém todos cansariam de ler isso o dia inteiro. Trata-se de uma mesa! Digam que é uma mesa, simples. Tudo bem, por vezes posto coisas interpretativas, mas nada que um repeteco da leitura não faça o interessado entender. Minhas metáforas são acessíveis e assim permanecerão. Acho que sou parecido com meu antepassado: Aquiles José Gomes Porto Alegre. Também um cronista simples. Tenho toda a sua coleção de livros e nos relacionamos até mesmo sobre nossos instrumentos de trabalho: fatos do cotidiano. São estranhos os caminhos das gerações. Agradeço a ele por minha veia literária. Espero ter o mesmo reconhecimento um dia. Terei.

Assim, o sucesso de um jornal, site, revista, não está no seu conteúdo. Não, seria muito óbvio afirmar isso. Está na forma a qual você expõe aos futuros leitores. Isso é o mais importante de tudo! É a gênese da atração para seguidores. Não desejo ser complexo, mas às vezes sou. Em alguns momentos a mente anseia por isso e não posso evitar, todavia me deixaria extenuado se eu o fizesse todo dia. Cultura se exibe com simplicidade e acessibilidade, sob pena que pouco do que o autor escreva faça sentido (não para os leitores pelo menos).

O cronista simples se despede!
Era isso por hoje!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

[PERSONALIDADE DO DIA] - VASSILI ZAITSEV

Soldado russo - franco atirador - que serviu durante a Segunda Guerra Mundial. Se notabilizou com um dos heróis da nação ao matar, oficialmente, duzentos e quarenta e dois alemães na batalha de Stalíngrado e mais de quinhentos até o fim do conflito. Sua história rendeu um filme de 2001, "Círculo de Fogo", estrelado por Jude Law. Recomendo.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ASSALTO

Ontem voltava da academia quando, há uns trinta metros em linha frontal da posição que ocupava, uma garota foi assaltada. Só ouvi os gritos desesperados de "pega ladrão" e observei, por instantes, o marginal hesitar frente ao escândalo, ameaçando devolver os pertences subtraídos. Logo em seguida, no entanto, disparou para garantir sua conquista corrompida. Porto Alegre testemunhou, mais uma vez, um ato de covardia.

Na hora fiquei parado, analisando a cena. Não havia entendido direito o ocorrido. Parecia uma brincadeira sem graça de crianças mal educadas. Por morar perto de uma zona escolar, já presenciei fatos parecidos: meninas gritando em tons altos para que os garotões, explodindo em energia, parassem de incomodá-las. Mas minha experiência falhou. Aquilo nunca fora uma brincadeira e sim um assalto. Admito que fiquei um pouco sem reação. O meliante era um daqueles homens desesperados e pouco estratégicos. Dei dois passos para trás ameaçando correr atrás dele, mas minha vida falou mais alto: o assaltante começou um jogo perigoso de correr entre carros, pondo em risco a vida de terceiros. Lamentei pela menina, mas não pude fazer nada. Não sei qual foi o fim do imbróglio. Vi alguns ligando para a polícia, outros correndo a fim de interceptar o marginal e só. O destino do ocorrido não dependeria mais de mim.

Entre artigos que li por aí, alguns diriam que meu ato foi de cidadania. Procurar ajudar até o limite de minha própria segurança. Se ele tivesse vindo em minha direção, eu teria tomado uma atitude diferente, sem dúvida, mas por meus impulsos. E mesmo que eu não fizesse nada, ainda assim estaria correto, pois era impossível garantir que o assaltante não possuísse uma arma escondida. Pessoas próximas a mim criticaram meu possível, mas não executado, ato de heroísmo. E com razão. Um movimento mal calculado e bye bye Gato Gordo. Ser um precavido ou um cidadão heroico? Bem, como disse, às vezes a própria cidadania exige um pouco de resguardo.


Heróis ganham a mídia de um dia; a morte ganha todos.


                                                                       ...Gatus Gordus.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

GATO GORDO ENTREVISTA: HILTOR MOMBACH

Hoje o Gato Gordo, reiterando a prática de entrevistas de conteúdo, vai conversar com o editor, comentarista e blogueiro de esportes do Jornal Correio do Povo, Hiltor Mombach. Há vários anos em serviço para a empresa - pertencente atualmente ao Grupo Record - o jornalista topou responder algumas perguntas. Vejamos.

1) Olá, Hiltor. Tudo bem? Começo pela mesma pergunta que fiz ao teu colega de empresa, Juremir Machado. Por decisão do STF, o diploma para exercer jornalismo perdeu a obrigatoriedade. Quais as perspectivas para a profissão no futuro do Brasil? Especificamente sobre o jornalismo esportivo.

Hiltor: Não sei, mas sei como seguirei procedendo, contratando apenas profissionais. Afinal, podem acabar com o diploma, mas não com as faculdades.

2) Trabalhar com o esporte, às vezes, é extrair leite de pedra. Dirigentes que falam pouco, jogadores que não falam nada. Quais são suas fontes? Como as informações se propagam quando, em tese, não saem da alta cúpula dos clubes?

Hiltor: Uma informação tem origem, obviamente, e o óbvio precisa ser dito. Mas depois ela passa por um processo, muitas vezes longo, de checagem.  É quando, quase sempre, aparecem novas informações, que levam para novas checagens. No final, todas as informações passam por um filtro, pelo feeling do jornalista, uma tentativa de depuração que nem sempre dá certo, mesmo com os mais experientes. Quem, como eu, conversa diariamente com dezenas de dirigentes, empresários, ex-dirigentes, conselheiros e sócios de clubes importantes, dificilmente fica sem assunto.

3) Em alguns momentos na crônica esportiva gaúcha, a fidelidade da informação é comprometida. Chega dezembro/janeiro e é um festival de notícias desencontradas, especulações sem embasamento, de que os mais variados craques vão acertar com a dupla GreNal. O jornalista cria a notícia ou a notícia cria o jornalista?

Hiltor: Não vejo assim. Cada informação tem uma evolução. Se um dirigente diz às 12h que está tentando contratar tal jogador e é feito um registro no blogue, por exemplo, que desencontro há se, às 14h, ele diz que o negócio fracassou? Nenhum. Jornalista não fecha negócio, não contrata, tão-somente acompanha a evolução de cada transação. Pelo menos os bons jornalistas fazem isto.

4) O Grêmio possui como mascote um mosqueteiro; o Internacional, um saci. O primeiro é hábil com as mãos; o outro, se chutar uma bola, cai de cara no chão. Você não acha que o Gato Gordo, paraninfo de meu blog, possui condição de virar o mascote da dupla GreNal, de um ou de outro? Trata-se de um gato habilidoso e viril somando essas características a uma oculta raça portenha.

Hiltor: Sugiro que inscrevas o Gato Gordo como concorrente a mascote dos dois clubes. Oficial.

5) A imprensa é gremista ou colorada? Ouvi tantas versões que já não sei mais.

Hiltor: A imprensa é a imprensa. Quando dizem que há mais jornalistas gremistas, por exemplo, respondo que não existem apenas mais jornalistas gremistas, mas mais advogados, médicos, dentistas, pedreiros, domésticas, cobradores, delegados...gremistas. E vice-versa e versa-vice.

6) "Mas, e sempre há um mas em tudo". Este bordão lhe precede. Foi você o criador? De onde surgiu?

Hiltor: Fui o criador, mas, e há sempre um mas em tudo, se alguém reivindicar a autoria... Surgiu do fato de que em toda tentativa de se formular uma teses aparece um mas.

7) Futebol brasileiro perdeu sua identidade ou as outra seleções eram muito inferiores? O jogo físico e, por vezes, feio da atualidade é justificativa para queda tão acentuada nos últimos anos?

Hiltor: Não acho que tenha perdido sua identidade. Nem que tenha sofrido queda tão acentuada. Algumas seleções cresceram muito. Por diversos motivos. Hoje temos mais seleções em condições de ganhar uma Copa do que no passado. Mas ainda vejo muita qualidade no futebol brasileiro.

8) Se não estiver enganado, você já disse em sua coluna que mora no bairro Petrópolis, próximo a Barão do Amazonas. Eu moro exatamente na Barão. Foi comer um xis? Eu levo meu álbum de figurinhas do campeonato brasileiro de 1997 e você me conta os bastidores da dupla. É uma raridade!

Hiltor: Será um prazer.

9) Os salários astronômicos transformaram os jogadores em "profissionais" exclusivamente? O amor por um clube rasga dinheiro hoje em dia?

Hiltor: Há jogadores gostam muito do time em que atuam. Mas que sabem que um dia serão negociados. Como sabem que há dinheiro no futebol. Não vejo problema no bom jogador que gosta do clube mas não abre mão de ganhar bem. O problema é deixar jogar o perna-de-pau só porque este ama o clube.

10) Qual o seu time do coração? Pode contar, não digo pra ninguém. Se não quiser falar, aproveita para dedurar teus colegas de imprensa. Sabe como é, o blog precisa de postagens bombásticas para alavancar a audiência.

Hiltor: Só para os leitores do teu blogue, com absoluta exclusividade e sem pedir segredo, embora sabendo que isto poderá me comprometer, lá vai: sou torcedor fanático do Fim de Carreira, de Garibaldi.

Era isso por hoje!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

GATO GORDO E O PLANO OUSADO

Começou como uma brincadeira - uma forma de compatilhar todas as informações pululantes em minha mente - mas agora ficou sério. Já há tempos que exerço no blog uma atividade profissional me baseando em postagens bem elaboradas, revisadas e devidamente pautadas. Para tal, quero transformar meu site na forma mais oficial possível. Como conseguirei isso? Primeiramente, dedicação; já existe. Em segundo lugar, com seguidores, pessoas que poderão compartilhar e saborear meus textos. Portanto, estou lançando a campanha:

GATO GORDO 1000.

Mil seguidores até o final do ano de 2012. É uma tarefa dificílima, mas me esforçarei para atingir este objetivo. Portanto, peço a ajuda de meus atuais colaboradores, pessoas presentes que admiro por suas qualidades nos comentários. É a hora de espalhar o blog ao máximo para que novos seguidores sejam agregados.

O procedimento é simples. Na coluna direita da página há uma série de instrumentos. O principal é a subscrição de novo membros, no qual basta o cadastro do email (seguir este site). Também há outros recursos. Me ajudaria muito a participação das mesmas pessoas no Twitter e Facebook do Gato Gordo. Bastaria, nesse caso, clicar em "Seguir" e "Curtir", respectivamente.

Vamos firmes e fortes para deixar o blog cada vez melhor. Conto com a ajuda de vocês!

Um grande abraço e beijo a todos!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A ESCADA

A escada era longa e cheia de degraus. Nunca ninguém havia chegado ao topo. Um homem decidiu domá-la. Calçou sua determinação e botou seu coração a ferro e fogo, pois seria uma luta árdua. Seus motivos? Provar. Mostrar para alguém ou outrem que tudo é possível se acertamos os rumos. Muitos tiveram medo e abdicaram da tentativa. Não aquele homem.

Iniciou o trajeto de forma tranquila, garantindo reservas de energia, mas sem deixar despencar o velocímetro humano. A escada era um espaço infinito de luz negra. Não se enxergava nem o próximo degrau, o que exigia cuidados especiais. Mas era apenas uma escada. Não haveria surpresas. Ela seguiria acima até a eternidade, se preciso. Talvez existissem alguns percalços; o marasmo, a tristeza de não conseguir sair daquele local e a frustração de jamais vencê-la. Porém o homem continuou assim: persistindo por muito, muito tempo. Se postava subindo, sempre; às vezes pulando dois degraus de uma vez, parando pelo cansaço, retrocedendo e avançando. E nesse vai e volta, o avanço, na verdade, não foi na escada, mas sim no próprio homem. No tempo e espaço singular em que se encontrava, apesar do receio de não confrontar seu destino, pôde conhecer muito mais de si mesmo, amadurecer por sua determinação e proteger as ondas sonhadoras de felicidade.

"Superar meus medos e chegar ao topo", disse. Esse fora seu objetivo inicial, mas parou e pensou por instantes. "Se eu continuar neste caminho, jamais vou vencer; a escada me ganhará para sempre". E então tomou a atitude que mudou sua vida. Ao invés de penetrar reto na escuridão, em passadas verticais, girou o eixo de seu corpo para a direita. Tateou o invisível e sentiu, sobre seus pés, o contorno de uma nova escada, diferente da anterior, que lhe conduziria por outro caminho. Tomou a decisão certa, mudou seu horizonte e, mais alegre, foi em direção ao futuro.

Será que o homem, finalmente, chegou ao topo? E vocês? Já tiveram a atitude de tomar uma escada alternativa?

Bom final de semana!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

EU TE AMO

Eu te amo/ti amuuuuu/love u/amo-te. Banalizações da expressão basilar mais pura dos sentimentos. Ouço tantas vezes e leio em qualquer lugar. É possível amar uma cadeira? É e nem se precisa sentir reciprocidade. Hoje em dia ama-se qualquer coisa, depende do interlocutor. Resolvi fazer uma pesquisa de mercado.

1) Cheguei perto do Gato Gordo e toda a sua manteiga. O primeiro ato do bichano? Jogar-se no chão e pedir carinhos na pança colossal. Ignoro. Apenas observo os olhos da criatura e digo: "eu te amo". Ele ficou me olhando. Eu acho - não tenho certeza - que não entendeu nada. Apenas circundou minha perna exigindo atenção. Gato malandro, não sabe o que faz. Ele ama a cama, pois lá ele dorme; ele ama a comida (tão saborosa) e ele "possui" os donos, provedores de alimentos e afagos. Sentiram a diferença?

2) Cheguei perto de uma árvore. Disse, olhando para as raízes pulsando de vida: eu te amo. Não houve resposta. Não gostei de ser ignorado. Mal educada. Urinei nela. Os artistas da Globo que criaram o hit de verão "não faz xixi aqui" têm todo o direito de me criticar. Mas a lei dos sentimentos é a mínima consideração que esperamos. A árvore me desrespeitou. E eu? Eu nasci em Detroit, não posso me submeter a isso.

3) Cheguei perto de minha mãe. Disse para ela: "eu te amo, mãe". E ela retornou o chamamento: "também e te amo, filho". Sem graça. Só me ama por que eu saí de dentro da barriga dela. Se bem que existem pais amorosos para filhos adotivos. Então acho que o sentimento é verdadeiro.

4) Cheguei perto de um amigo. Seguro de minha heterossexualidade, disse para ele: "eu te amo". Ele me xingou de nomes impublicáveis, mas caiu na brincadeira. Amor de amigo existe, mas fica feio extrapolar com tal expressão. Há rivalidade do macho. Para o homem, o máximo de afeto possível é: "você é o cara"; "você é f....."; ou por uma gíria criada por mim aos nove anos de idade: "abalou a catacumba". Não me perguntem o significado, pois nem eu sei.

5) Cheguei perto de uma amiga. Disse para ela "eu te amo". Ela retribuiu: "eu também te amo, querido". Trata-se de uma amiga mesmo. Sua resposta denota isso. Dali não se passa.

Reações diferentes e naturais. Todas sinceras, de uma forma ou de outra. Mas existem amores banais. Não é incomum ver menininhas de dez anos mandando mensagens do tipo: "ti amu, migaaaa" entre outras improváveis variações. A expressão é dita tantas vezes que parece não ser verdadeira. Este não é o único caso. Muitas outras coisas ficaram esvaziadas. "Eu te amo" virou um chamamento qualquer. Mas cada um é cada um. Dei inúmeros casos aonde o valor ainda se sustenta.

E você, meu seguidor(a)? Obrigado por ajudar meu blog. TI AMUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!

Era isso por hoje!