sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ASSASSIN´S CREED: RENASCENÇA

- É uma vida boa que levamos, irmão.

Ézio: a melhor. Que nunca mude!

- E que nunca mude a nós mesmos.

                        Ézio Auditore, antes de tornar-se um assassino.




Há uma moda bastante evidente e inegável no mercado da literatura: a inserção de poderosos e fictícios personagens sob fatos históricos notórios. Sendo essa a onda, nada melhor do que a leitura de uma estória em um momento onde o mundo deixou de lado a escuridão da Idade Média, abrindo-se para as artes, para a liberdade intelectual: o Renascentismo. Um período de grande importância frente à retomada dos mínimos ideais de humanidade e que, na figura da família Auditore, nos fascina frente ao potencial destruidor que o poder encerra.

Pelas ruas e becos de Florença, um jovem corria livre sem receios sobre o futuro que se avizinhava. De conquistas amorosas a brigas contra desafetos de famílias rivais, vivia intensamente, esperando que aquilo nunca mudasse. Ézio Auditore, todavia, não sabia o que o destino lhe reservaria. Entre os segredos mais ocultos de um clã muito anterior a ele, o jovem tomaria partido em uma guerra ancestral começada mil anos antes. Traído por companheiros, viu seu pai e irmãos perecerem sobre a forca de rivais. Ali jurou vingança, porém não se submetendo a maldade, nunca a maldade, mas sim ao credo de honra que tocou seus antepassados. Ézio, portanto, virou um assassino.

"Que mundo é este em que vivemos, onde a crença pode ser manipulada com tanta facilidade?"

                                                       Ézio Auditore, um assassino.

Assim, o livro exibe um confronto entre a ordem de Ézio contra os últimos redutos dos cavaleiros templários que, no contexto da ficção, eram os vilões - mandantes e executores de sua família - eruditos de um conhecimento antigo achado no templo do Rei Salomão, porém com más intenções. A narrativa, em terceira pessoa, nos leva entre caminhos obscuros, onde Ézio forma uma teia de pessoas que idealizaram o crime contra os Auditore, mas que também guardam um segredo muito maior do que peças em um tabuleiro. O desenvolvimento do personagem, portanto, acontece dentro dos inúmeros assassinatos que executa, em prol da justiça, amadurecendo a uma vida que jamais desejou, mas que as circunstâncias lhe fizeram tomar.

Assassin´s Creed Renascença, na forma que veio ao mundo, cumpre sua finalidade. O autor, Oliver Bowden, pseudônimo de um grande historiador do Renascimento, novelizou o potencial imenso da franquia de jogos no videogame, que já conta com quatro títulos. O livro é riquíssimo em detalhes e ambientação nos faz acreditar, por vezes, que estamos presentes naquele tempo. Nesse sentido, o texto informal, onde se dá a inserção de um antiherói dentro de acontecimentos reais, fornece uma adrenalina a mais, tomada pela reescrita da própria história, levando a imaginação do leitor as alturas.

Um ótimo livro, cheio de ação e cultura. Recomendo!

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