quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

EU TE AMO

Eu te amo/ti amuuuuu/love u/amo-te. Banalizações da expressão basilar mais pura dos sentimentos. Ouço tantas vezes e leio em qualquer lugar. É possível amar uma cadeira? É e nem se precisa sentir reciprocidade. Hoje em dia ama-se qualquer coisa, depende do interlocutor. Resolvi fazer uma pesquisa de mercado.

1) Cheguei perto do Gato Gordo e toda a sua manteiga. O primeiro ato do bichano? Jogar-se no chão e pedir carinhos na pança colossal. Ignoro. Apenas observo os olhos da criatura e digo: "eu te amo". Ele ficou me olhando. Eu acho - não tenho certeza - que não entendeu nada. Apenas circundou minha perna exigindo atenção. Gato malandro, não sabe o que faz. Ele ama a cama, pois lá ele dorme; ele ama a comida (tão saborosa) e ele "possui" os donos, provedores de alimentos e afagos. Sentiram a diferença?

2) Cheguei perto de uma árvore. Disse, olhando para as raízes pulsando de vida: eu te amo. Não houve resposta. Não gostei de ser ignorado. Mal educada. Urinei nela. Os artistas da Globo que criaram o hit de verão "não faz xixi aqui" têm todo o direito de me criticar. Mas a lei dos sentimentos é a mínima consideração que esperamos. A árvore me desrespeitou. E eu? Eu nasci em Detroit, não posso me submeter a isso.

3) Cheguei perto de minha mãe. Disse para ela: "eu te amo, mãe". E ela retornou o chamamento: "também e te amo, filho". Sem graça. Só me ama por que eu saí de dentro da barriga dela. Se bem que existem pais amorosos para filhos adotivos. Então acho que o sentimento é verdadeiro.

4) Cheguei perto de um amigo. Seguro de minha heterossexualidade, disse para ele: "eu te amo". Ele me xingou de nomes impublicáveis, mas caiu na brincadeira. Amor de amigo existe, mas fica feio extrapolar com tal expressão. Há rivalidade do macho. Para o homem, o máximo de afeto possível é: "você é o cara"; "você é f....."; ou por uma gíria criada por mim aos nove anos de idade: "abalou a catacumba". Não me perguntem o significado, pois nem eu sei.

5) Cheguei perto de uma amiga. Disse para ela "eu te amo". Ela retribuiu: "eu também te amo, querido". Trata-se de uma amiga mesmo. Sua resposta denota isso. Dali não se passa.

Reações diferentes e naturais. Todas sinceras, de uma forma ou de outra. Mas existem amores banais. Não é incomum ver menininhas de dez anos mandando mensagens do tipo: "ti amu, migaaaa" entre outras improváveis variações. A expressão é dita tantas vezes que parece não ser verdadeira. Este não é o único caso. Muitas outras coisas ficaram esvaziadas. "Eu te amo" virou um chamamento qualquer. Mas cada um é cada um. Dei inúmeros casos aonde o valor ainda se sustenta.

E você, meu seguidor(a)? Obrigado por ajudar meu blog. TI AMUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!

Era isso por hoje!

Um comentário:

Vani disse...

Gato Gordo...eu te amuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!