segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

GATO GORDO ENTREVISTA: HILTOR MOMBACH

Hoje o Gato Gordo, reiterando a prática de entrevistas de conteúdo, vai conversar com o editor, comentarista e blogueiro de esportes do Jornal Correio do Povo, Hiltor Mombach. Há vários anos em serviço para a empresa - pertencente atualmente ao Grupo Record - o jornalista topou responder algumas perguntas. Vejamos.

1) Olá, Hiltor. Tudo bem? Começo pela mesma pergunta que fiz ao teu colega de empresa, Juremir Machado. Por decisão do STF, o diploma para exercer jornalismo perdeu a obrigatoriedade. Quais as perspectivas para a profissão no futuro do Brasil? Especificamente sobre o jornalismo esportivo.

Hiltor: Não sei, mas sei como seguirei procedendo, contratando apenas profissionais. Afinal, podem acabar com o diploma, mas não com as faculdades.

2) Trabalhar com o esporte, às vezes, é extrair leite de pedra. Dirigentes que falam pouco, jogadores que não falam nada. Quais são suas fontes? Como as informações se propagam quando, em tese, não saem da alta cúpula dos clubes?

Hiltor: Uma informação tem origem, obviamente, e o óbvio precisa ser dito. Mas depois ela passa por um processo, muitas vezes longo, de checagem.  É quando, quase sempre, aparecem novas informações, que levam para novas checagens. No final, todas as informações passam por um filtro, pelo feeling do jornalista, uma tentativa de depuração que nem sempre dá certo, mesmo com os mais experientes. Quem, como eu, conversa diariamente com dezenas de dirigentes, empresários, ex-dirigentes, conselheiros e sócios de clubes importantes, dificilmente fica sem assunto.

3) Em alguns momentos na crônica esportiva gaúcha, a fidelidade da informação é comprometida. Chega dezembro/janeiro e é um festival de notícias desencontradas, especulações sem embasamento, de que os mais variados craques vão acertar com a dupla GreNal. O jornalista cria a notícia ou a notícia cria o jornalista?

Hiltor: Não vejo assim. Cada informação tem uma evolução. Se um dirigente diz às 12h que está tentando contratar tal jogador e é feito um registro no blogue, por exemplo, que desencontro há se, às 14h, ele diz que o negócio fracassou? Nenhum. Jornalista não fecha negócio, não contrata, tão-somente acompanha a evolução de cada transação. Pelo menos os bons jornalistas fazem isto.

4) O Grêmio possui como mascote um mosqueteiro; o Internacional, um saci. O primeiro é hábil com as mãos; o outro, se chutar uma bola, cai de cara no chão. Você não acha que o Gato Gordo, paraninfo de meu blog, possui condição de virar o mascote da dupla GreNal, de um ou de outro? Trata-se de um gato habilidoso e viril somando essas características a uma oculta raça portenha.

Hiltor: Sugiro que inscrevas o Gato Gordo como concorrente a mascote dos dois clubes. Oficial.

5) A imprensa é gremista ou colorada? Ouvi tantas versões que já não sei mais.

Hiltor: A imprensa é a imprensa. Quando dizem que há mais jornalistas gremistas, por exemplo, respondo que não existem apenas mais jornalistas gremistas, mas mais advogados, médicos, dentistas, pedreiros, domésticas, cobradores, delegados...gremistas. E vice-versa e versa-vice.

6) "Mas, e sempre há um mas em tudo". Este bordão lhe precede. Foi você o criador? De onde surgiu?

Hiltor: Fui o criador, mas, e há sempre um mas em tudo, se alguém reivindicar a autoria... Surgiu do fato de que em toda tentativa de se formular uma teses aparece um mas.

7) Futebol brasileiro perdeu sua identidade ou as outra seleções eram muito inferiores? O jogo físico e, por vezes, feio da atualidade é justificativa para queda tão acentuada nos últimos anos?

Hiltor: Não acho que tenha perdido sua identidade. Nem que tenha sofrido queda tão acentuada. Algumas seleções cresceram muito. Por diversos motivos. Hoje temos mais seleções em condições de ganhar uma Copa do que no passado. Mas ainda vejo muita qualidade no futebol brasileiro.

8) Se não estiver enganado, você já disse em sua coluna que mora no bairro Petrópolis, próximo a Barão do Amazonas. Eu moro exatamente na Barão. Foi comer um xis? Eu levo meu álbum de figurinhas do campeonato brasileiro de 1997 e você me conta os bastidores da dupla. É uma raridade!

Hiltor: Será um prazer.

9) Os salários astronômicos transformaram os jogadores em "profissionais" exclusivamente? O amor por um clube rasga dinheiro hoje em dia?

Hiltor: Há jogadores gostam muito do time em que atuam. Mas que sabem que um dia serão negociados. Como sabem que há dinheiro no futebol. Não vejo problema no bom jogador que gosta do clube mas não abre mão de ganhar bem. O problema é deixar jogar o perna-de-pau só porque este ama o clube.

10) Qual o seu time do coração? Pode contar, não digo pra ninguém. Se não quiser falar, aproveita para dedurar teus colegas de imprensa. Sabe como é, o blog precisa de postagens bombásticas para alavancar a audiência.

Hiltor: Só para os leitores do teu blogue, com absoluta exclusividade e sem pedir segredo, embora sabendo que isto poderá me comprometer, lá vai: sou torcedor fanático do Fim de Carreira, de Garibaldi.

Era isso por hoje!

4 comentários:

Mariah. disse...

Amo os comentários do Hiltor..."mas,e sempre há um mas em tudo". E pensar que seu pai queria que você fizesse um Concurso para o Banco do Brasil ou para a Caixa Econômica, hein?
Entrevista de altíssimo nível.
Parabéns ao Entrevistado e ao Entrevistador.

Anônimo disse...

Muito boa a entrevista. O Hiltor é um cara que sabe muito de futebol, mas acho que ele é gremista

by loko

Anônimo disse...

Baita gremistao!!!

Sempre malhando o colorado!!

Anônimo disse...

O fato dele "malhar o Colorado" ,nâo inviabiliza a sua grande cultura em vários assuntos.Pelo menos ele diz que é Gremista,mesmo malhando o Colorado. Quantos aí " não saem do armário?"