terça-feira, 20 de março de 2012

THRESHOLD

Existe uma palavra no inglês que em nossa língua, ao entoada, não traz o mesmo efeito. Minto. Na verdade, o significado é o mesmo, mas o português deixa-a menos bonita. Threshold (ou limiar) é, segundo a Wikipédia, "o ponto no qual um estímulo tem intensidade suficiente para começar a produzir um efeito". São vários os thresholds e alguns não podemos evitar.

Poucos sabem muito de minha vida. Entrei na faculdade em 2006 ao fazer vestibular no ano anterior. Passei apenas pelos excelentes estudos no colégio que me ajudaram a ter médias altas mesmo sem cursinho. Foi uma felicidade tamanha, um threshold inesquecível. Lembro até hoje do telefonema de um amigo comunicando-me da conquista: "você passou". Tudo foi festa, mas - sempre uma palavra adversativa - eu não imaginava o que viria pela frente.

Hoje sou muito diferente. A bagagem que tenho atualmente não pertencia ao meu ego em meus longínquos dezessete anos. A faculdade me deu todas essas coisas. O ensino superior garante isso: maturidade. Foi-se o primeiro ano e perguntei: será que é só isso? Teoria pura, chata, enfadonha? Meu irmão mais velho me disse que não, que as coisas iriam melhorar. E melhoraram. Entrei nos conteúdos específicos do Direito. Saí dos ensaios gregos e romanos sobre a ética e, finalmente, pensei que a faculdade deslancharia. Mais um erro. As matérias são um corpo humano da realidade. Veias, órgãos, ossos, elementos que formam uma estrutura única, mas que se existir um aspecto vacilante, o sistema todo cai.

Apesar de um pouco frustrado, garanti meu diploma. Não desprezo o Direito. É o Direito, por vezes, que me despreza. Não só a mim, mas os milhares de bacharéis formados a cada semestre que são jogados no mercado, ainda mais com a necessidade não descartável pela OAB. Descobri que aquilo foi um momento de evolução única na minha vida, mas não era o que me deixaria feliz. O Direito poderá fornecer meu sustento, mas sob outro prisma: o prisma de cunho jornalístico.

Pois é. Poucos sabem, mas escrever bem somente não dá empregos ou dinheiro. Tentei virar um jornalista por decisão do STF (sem diploma), mas não teve jeito. Ofereci-me, inclusive, para trabalhar de graça - uma espécie de estágio - em redações de diversos jornais e revistas. Nada feito. Qual era a minha saída, então? Fazer jornalismo. E é o que estou fazendo. Só que agora em outra faculdade. Uma aonde não há sessenta ou setenta alunos por sala. Há muito menos e isso facilita demais o importante contato com o professor. Estou seguindo o sonho. Estou tomando o outro caminho da escada.

E para comunicar este novo processo em minha vida, posto o link Universo IPA que, junto com o tradicional Gato Gordo, será minha nova casa para textos. Hoje mesmo foi publicado meu primeiro trabalho, "O quarto poder". Deem uma conferida! Seguidor meu aqui, me segue e comenta lá também! O primeiro link é a página geral do site, o qual meu artigo ocupa a capa; o segundo é o portal direto. Desfrutem.

Um grande abraço a todos e cuidem de seus thresholds, pois são as decisões que nos movem ou nos deixam parados...

5 comentários:

Juliana Borges de Almeida disse...

Nossa Gabriel, meus parabéns, fico muito feliz por vc. Tenho certeza que será um excelente profissional.
Bjos

LUZ. disse...

Novo começo...novas experiências. A vida é feita disso. Quando um jovem começa a pensar no que quer seguir,na Universidade ,eu acho que ele ainda está muito imaturo. São inúmeros os incentivos para as escolhas: teste vocacional, pai ou mãe que já exerçam aquela profissão,tendências naturais,enfim, o que eu posso dizer ,é que é muito difícil para um(a)jovem , escolher ,digamos a carreira mais compatível consigo.Eu acredito ,que,os que escolhem certo de primeira,são os que tem a vocação nata e os que não tem essa sorte , ou fazem aquilo para o qual se prepararam,mesmo não gostando muito,ou nada,ou fazem que nem você ,lutam pelo seu lugar ao SOL , enfrentam muitas barreiras,dificuldades , sofrem ,às vezes até entram em depressão,deixam os familiares atordoados , sem saber como ajudar. Até que um dia...o Cosmos vem em seu auxílio e você acha que alguma coisa está empurrando você para aquela direção e você luta,enfrenta,cai ,levanta e continua a seguir sua intuição. Sobe a escada novamente e "coloca o pé" no desvio( certo) e vai em frente.
É isso aí Gabriel...sempre em frente. O que passou...passou e tudo na vida tem que ser considerado como experiência e se a gente não sai muito machucado,com o tempo,vamos vendo que essas experiências pelas quais passamos irão nos ajudar muito,porque no momento em que elas eram apenas experiências ,elas nos fizeram amadurecer. PARABÉNS.
Sempre seguindo você ...aqui e lá.

Anônimo disse...

Em qualquer profissão,o emprego é diretamente proporcional a vontade que a pessoa tem de trabalhar , porisso,se tu tens essa vontade terás um emprego,ou dois ,ou mais. É a lei da atração , é a lei que rege o Universo todo. Bjs.Sua seguidora,sempre.

Anônimo disse...

Nunca desiste daquilo que tu quer,pois fazer o que não se gosta ( experiência própria) é a pior coisa. A vida fica sem "sabor"

Gabriel disse...

Muito obrigado pelas mensagens, pessoal. A moral da vida é fazer o que se gosta. É isso que estou procurando.